domingo, 28 de agosto de 2011

meu caro rapaz, meu carrapato

Agora me passou pela cabeça que eu, quando resolvo escrever nesse blog, tenho tendência de falar sobre música e literatura e, se possível, sobre relações entre essas duas maravilhas. É o caso do post sobre "A Rose For Emily" , conto do Faulkner e música dos Zombies, e do post sobre "A Fala do Velho do Restelo ao Astronauta" , do Saramago (post que hoje me parece bem mal escrito e mal pensado, mas vou deixar pra lá essa questão). Isso pra dizer que hoje, quando subitamente resolvi escrever qualquer coisa, a idéia novamente foi falar de música e literatura. Mas enfim, o que se há-de fazer senão colocar a idéia em prática?

Pois bem: o jovem aqui à esquerda é o Tom Zé (sim tô falando do Tom Zé de novo), ou melhor, foi o Tom Zé. Não que ele esteja morto, é que hoje ele é mais velhinho e mais barbudo. Não que isso venha ao caso. O que vem ao caso é o seguinte: Lá no Estudando o Pagode (2005), tem uma música chamada Quero Pensar (A Mulher de Bath). Ora, eu sempre escutava a música, mas nunca dava bola pro subtítulo entre parênteses, sabia que ele estava lá, mas era uma informação aleatória vagando como um fantasma errante na minha mente. Mal sabia eu que haveria de chegar o dia em que tal fantasma encontraria sentido pra sua existência!


Explico: lá estou sentado no primeiro andar da faculdade de economia lendo um texto sobre literatura inglesa dos tempos do êpa (século quatorze), quando me aparece uma certa Wife of Bath. Instantaneamente eu tive aquele pensamento clássico "pô, eu conheço isso de algum lugar", foi então que eu perguntei pra essa tal Wife of Bath: "você vem sempre aqui pelas redondezas da minha mente, meu bem?". Não preciso nem dizer que quem me apareceu em seguida foi o fantasma aquele e uma relação muitíssimo peculiar se revelou pra mim: Tom Zé e literatura inglesa do século quatorze. Quem diria hein?

Só para contextualizar então: olha esse retrato aqui do lado. O nome desse cara é Geoffrey Chaucer. Tem uns quantos estudiosos de literatura inglesa que consideram ele o primeiro grande escritor de língua inglesa (não concordo muito com a parte do "primeiro", por razões que não vêm ao caso no momento, mas com a parte do "grande escritor", concordo definitivamente). Mas qual é a dele, então? Já digo: ele é o autor das Canterbury Tales, um livro de contos originalmente escrito em verso e em Middle English. O livro tem uma história de fundo, que os teóricos chamam moldura (pra quem leu As Mil e Uma Noites ou Decamerão, é isso), que é a seguinte: trinta peregrinos partem de Londres com destino à Cantuária (Canterbury), viagem de mais ou menos 95km, distância que era percorrida em quatro dias. Resumindo: para que o tempo passe mais rápido, esses peregrinos resolvem contar histórias.

E é aí que entra a Mulher de Bath: ela é uma dentre os peregrinos. A parte dedicada a ela no livro é bastante interessante, tem no máximo trinta páginas, recomento muito (li uma adaptação em prosa para o inglês moderno, mas sei que se encontra tradução para o português). Olha como é interessante: em pleno século quatorze, o Chaucer apresenta uma mulher que foi casada cinco vezes, que prega que a mulher tem que mandar no casamento e que conta como brigava com seus falecidos esposos para que eles se submetessem a ela. A história que ela conta é bem interessante, mas vai ficar de fora do post. Para quem se interessar, recomendo uma animação que tem no youtube. O vídeo só tem seis minutos e é muito bem feito, mas só vale pra quem entende bem inglês. Uma única ressalva: a autora da animação muda o final da história - o que eu, particularmente, achei bem legal.

Já falei muito, mas só pra terminar: pega um relato de uma das brigas da Wife of Bath com um dos maridos e compara com a discussão na música do Tom Zé (Quero Pensar). Daí tu entende o porquê de o maluco-gênio-baiano ter colocado a Mulher de Bath no subtítulo.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

ainda sobre vermes


Os mortos de Sobrecasaca

Havia a um canto da sala um álbum de fotografias intoleráveis,
alto de muitos metros e velho de infinitos minutos.
em que todos se debruçavam
na alegria de zombar dos mortos de sobrecasaca.

Um verme principiou a roer as sobrecasacas indiferentes
e roeu as páginas, as dedicatórias e mesmo a poeira dos retratos.
Só não roeu o imortal soluço de vida que rebentava,
que rebentava daquelas páginas.



*o autor, Drummond.

sobre vermes

Os vermes

"Ele fere e cura!" Quando, mais tarde, vim a saber que a lança de Aquiles também curou uma ferida que fez, tive tais ou quais veleidades de escrever uma dissertação a este propósito. Cheguei a pegar em livros velhos, livros mortos, livros enterrados, a abri-los, a compará-los, catando o texto e o sentido, para achar a origem comum do oráculo pagão e do pensamento israelita. Catei os próprios vermes dos livros, para que me dissessem o que havia nos textos roídos por eles.

- Meu senhor, respondeu-me um longo verme gordo, nós não sabemos absolutamente nada dos textos que roemos, nem escolhemos o que roemos, nem amamos ou detestamos o que roemos: nós roemos.

Não lhe arranquei mais nada. Os outros todos, como se houvessem passado palavra, repetiam a mesma cantilena. Talvez esse discreto silêncio sobre os textos roídos, fosse ainda um modo de roer o roído.
O Verme

Existe uma flor que encerra
Celeste orvalho e perfume.
Plantou-a em fecunda terra
Mão benéfica de um nume.

Um verme asqueroso e feio,
Gerado em lodo mortal,
Busca esta flor virginal
E vai dormir-lhe no seio.

Morde, sangra, rasga e mina,
Suga-lhe a vida e o alento;
A flor o cálix inclina;
As folhas, leva-as o vento,

Depois, nem resta o perfume
Nos ares da solidão...
Esta flor é o coração,
Aquele verme o ciúme.


*o autor, Machado de Assis.
note-se que o primeiro é o décimo sétimo capítulo de Dom Casmurro. o segundo é um poema que encontrei por aí, nos googles da vida.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

antônio josé


Recentemente parei pra pensar em qual seria o nome do Tom Zé. A primeira suposição - que se confirmou certa - foi que é Antônio José.
Antônio José, mesmo nome do "Judeu", autor brasileiro do século XVIII, mas mais conhecido em Portugal, até porque foi lá que ele viveu a maior parte da vida.
Autor de Guerras de Alecrim e Manjerona, o judeu morreu queimado na fogueira (santa inquisição!). É uma leitura interessante, principalmente pros interessados em teatro.
Me passou pela mente agora colocar aqui meu trabalho sobre o judeu. Vou fazer isso! Mas no próximo post. Esse post aqui é sobre o outro Antônio José.

Na verdade só quero postar um pedacinho de uma música - uma dentre tantas geniais!
A música em questão é O Amor é um Rock, que é bem boa toda ela, mas tem uma parte que talvez se possa chamar de sublime no sentido que a palavra é usada por Longino no seu Tratado do Sublime.
A referência pode ser ignorada, ou pesquisada, se assim se quiser. Não estou com vontade de falar sobre isso agora...
Mas enfim, sublime não a letra, mas o conjunto letra e melodia, a parte se destaca na música com uma simplicidade que é bonita por demais!
Sem mais delongas, colo aqui em baixo o trecho em questão e convido quem por ventura vier a ler isso a escutar a música.

Meu primeiro amor
Foi como uma flor
Que desabrochou
E logo morreu.
Nesta solidão,
Sem ter alegria
O que me alivia
São meus tristes ais.

São prantos de dor
Que dos olhos saem
Pois que eu bem sei
Quem eu tanto amei
Não verei jamais.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

a luz dos óios meus

De todas as músicas que conheço, não sei se existe alguma que, na minha opinião (obviamente), seja tão bonita como Assum Preto. Presente na letra, que também é notável pela simplicidade, e na melodia em modo menor ( já falei sobre isso aqui ), é a tristeza que confere toda a beleza à música. Além do mais a canção me faz lembrar da minha avó, que sempre chorava quando ouvia Assum Preto.

O autor é Luiz Gonzaga. A letra segue.

Tudo em vorta é só beleza
Sol de Abril e a mata em frô
Mas Assum Preto, cego dos óio
Num vendo a luz, ai, canta de dor

Tarvez por ignorança
Ou mardade das pió
Furaro os óio do Assum Preto
Pra ele assim, ai, cantá mió

Assum Preto veve sorto
Mas num pode avuá
Mil vez a sina de uma gaiola
Desde que o céu, ai, pudesse oiá

Assum Preto, o meu cantar
É tão triste como o teu
Também roubaro o meu amor
Que era a luz, ai, dos óios meus

domingo, 6 de fevereiro de 2011

a rose for emily


Ovindo A Rose for Emily (Zombies), decidi jogar no google pra ouvir acompanhando com a letra. Até aí nada de mais, cena corriqueira no meu dia-a-dia. O que tem de mais vem agora: descobri que a música foi inspirada em um conto de mesmo nome do William Faulkner.

Um belo par: bela canção, belo conto. No centro de tudo, a pobre Emily. A música mostra a personagem destinada a estar só, not a rose for Emily... No conto se conhece a tragédia da última Grierson, a partir do ponto de vista dos vizinhos conservadores do século XIX/início do XX: isolada, solitária, alienada, louca. Quem entenderia Emily? Se Emily não paga impostos é por que o xerife Sartoris a isentou. Não importa se o xerife Sartoris já morreu há mais de dez anos. Emily não paga impostos em sua cidade.

Não é preciso, obviamente, ler o conto para dizer que se pode ter um completo entendimento da música, afinal esta foi apenas inspirada naquele; podem tratar da mesma personagem, mas o fazem de forma diferente. De qualquer forma, são dois pedacinhos de arte que devem ser conhecidos. Não necessariamente juntos, mas se possível, que assim o seja. A intertextualidade enriquece o valor das obras. Enriquece ambas as partes, não apenas o "inspirado" mas também o "inspirador". Meu entendimento de Bola de Sebo (Maupassant) foi acrescido de significados com Geni e o Zepelim (Chico), tenho certeza disso e por aí vai. É por isso que gosto de intertextos: criam possibilidades.

intertextualidade rules!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

30

Teatro perde Nelson Rodrigues

O teatro brasileiro perdeu ontem um de seus mais conceituados autores. Depois de oito paradas cardíacas, morreu, às 8h, o jornalista, escritor e teatrólogo Nelson Rodrigues (foto ao lado). Em 1939, ele viu sua primeira peça ser encenada, A Mulher Sem Pecado, pela qual recebeu favoráveis críticas de intelectuais como Manuel Bandeira e Álvaro Lins. Mas foi com Vestido de Noiva, de 1941, que Nelson Rodrigues estabeleceu um marco decisivo na história do teatro nacional. O teatrólogo será sepultado hoje, às 11h, no cemitério São João Batista, no Rio.

***

Cópia da notícia da ZH de hoje, notícia originalmente publicada em 22 de dezembro de 1980. A foto não é a mesma que apareceu no jornal, mas é o Nelson ali, isso que importa.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

não volta

Plaza de Armas à noite. Foto tirada com o celular durante muito pisco e muita conversa com o Edgardo.

Vontade de não ter voltado...

domingo, 5 de dezembro de 2010

a bactéria e a nasa

descoberta a bactéria que pode usar arsênio em vez de fósforo no seu dna. saber que fósforo não é elemento essencial para que exista vida faz com que saibamos que a vida pode existir em mais ambientes do que pensávamos. estamos um passo mais próximos de descobrir vida extraterrestre.

enquanto isso, aqui, na terra, a fome continua. não fui eu quem escreveu isso. foi Saramago, num poema chamado "Fala do Velho do Restelo ao Astronauta".

Aqui, na Terra, a fome continua,
A miséria, o luto, e outra vez a fome.

Acendemos cigarros em fogos de napalme
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
E também da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti sei lá bem que desejo
De mais alto que nós, e melhor e mais puro.

No jornal, de olhos tensos, soletramos
As vertigens do espaço e maravilhas:
Oceanos salgados que circundam
Ilhas mortas de sede, onde não chove.

Mas o mundo, astronauta, é boa mesa
Onde come, brincando, só a fome,
Só a fome, astronauta, só a fome,
E são brinquedos as bombas de napalme.


sintética contextualização:

O episódio do Velho do Restelo, situado no final do quarto canto d’Os Lusíadas, é um dos mais marcantes na obra de Camões. O Velho é uma personagem que apresenta o lado negativo das navegações, do imperialismo. Ele critica a viagem, dizendo que é motivada por ambição e por cobiça, e que, com a saída dos homens, o país fica desprotegido. Este episódio faz um forte contraponto ao restante do poema épico, o qual exalta o reino português e sua expansão ultramarina.

A figura do Velho do Restelo serviu de inspiração a José Saramago para a escrita de Fala do velho do restelo ao astronauta, poema publicado em 1966 em Os Poemas Possíveis. No século XV, o Velho se dirigiu ao marinheiro, no século XX, dirige-se ao astronauta: assim como Camões criticou o marinheiro imperialista que, por cobiça, deixou sua terra desprotegida, Saramago critica a guerra fria ("o astronauta"), em que muito se gastou recursos com armamento e com a corrida espacial enquanto faltavam recursos para acabar com a fome no mundo.

Só para deixar registrado: há um cantor português que musicou o poema do Saramago. Nada que, na minha opinião, valha a pena ser conhecido. Sabe quando uma melodia combina perfeitamente com a letra? Sabe? Pois esse caso é exatamente o contrário.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

I loved you and I still do.
So much it hurts.
You understood me.
You supported me.
You agreed with me.
Always. The only one.
You didn't do everything you could for me.
You did more.

It's been hell without you.
Forgive me if I'm selfish for wishing you were here.



Be ok as I'll try to be.
I love you and I miss you.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

sobre o post anterior e otras cositas más

Pequena retificação de informações:
Não são apenas três, mas quatro linhas e meia. Digo quatro e meia, pois a linha 4 bifurca-se no meio do caminho (em linha 4 e linha 4A). Claro que pode-se pensar o inverso, ou seja, as linhas 4A e 4 unem-se em linha 4. De qualquer modo, acho válido dizer quatro linhas e meia.
E a questão das estações verdes, vermelhas e verdes e vermelhas, isto só ocorre nas linhas 2, 4 e 5 e apenas em horários mais movimentados. Na 1 (e também na 2, na 4 e na 5 em horários calmos) os trens param em todas as estações. E sobre a linha 3, caso alguém tenha estranhado o fato de eu não ter dito nada sobre ela: não há o que se dizer sobre ela, a linha 3 não existe, não me perguntem a razão de isto se dar.

Pequena adição de informações:
No final de 2009 três novas estações foram inauguradas. A linha 1, que ia até a estação Escuela Militar, agora chega até Los Dominicos, ponto mais oriental da cidade que se pode chegar de metrô. A linha 5 também ganhou recentemente novas estações - quatro, para ser exato -, chegando a Pudahuel, mais ao leste de Santiago. E estão sendo construídas mais sete estações na linha 5, que chegará até Plaza de Maipu; a previsão de início de funcionamento é dezembro deste 2010. Não tem como comparar com o nosso triste caso de Porto Alegre, que, há anos, precisa de uma rede de metrô mais eficiente. As novas são que, após um ano e sete meses, temos 64% da obra concluída, que, quando pronta, terá 4 novas estações e chegará até Novo Hamburgo. Não há dúvida de que é um grande progresso, mas está longe de estar bom. E a tão sonhada linha 2 parece continuar não passando de sonho.

Pequena ratificação de informações:
Só ratifico que o Metrô de Santiago é muito eficiente, a ferrovia é um meio de transporte público no qual vale a pena investir - acho que isso não é novidade a ninguém. Teremos, para a copa em 2014, faixas de trânsito rápido para ônibus na Assis Brasil, na Protásio, na Bento também - penso que seja isso, não sei de todos os detalhes. Acho muito válido investimento para melhoria do transporte público rodoviário, que também é triste em Porto Alegre, mas um sistema de metrô como o de Santiago definitivamente é algo em que deveríamos nos espelhar.

E sobre São Paulo: nunca fui, mas sei que o metrô é bastante desenvolvido, o que já é um ponto positivo, um passo a frente. Se há superlotação (o que também ocorre em Porto Alegre, seja no trem ou no ônibus) são outros problemas, outros quinhentos ou, como se diria em Portugal, são outros trinta.

Fica o vácuo.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

rápidas chilenas

1

o metrô aqui é incrivelmente mais funcional sem comparado ao trensurb de Porto Alegre. tudo subterrâneo, ou seja, nada de dividir cidades ao meio. além do mais três linhas cobrem praticamente toda Santiago. leva um tempo para se acostumar com o esquema, afinal sao inúmeras estaçoes e, com freqüência, para chegar à estaçao desejada, se deve trocar de trem. obviamente, os perdidos que estao pegando o metro pela primeira vez nao entendem nada. nenhum grande problema: falando um pouquinho de espanhol (quase) tudo está bem. isso me leva ao ponto segundo

2

aqui em Santiago as pessoas parecem muito mais dispostas a ajudar os perdidos do que em Porto Alegre. quando peguei o trem ontem para ir ao estádio onde foi o show da Regina (Spektor), tive que fazer a tal troca de trem. desci na estaçao em que as linhas se cruzam, até aí tudo certo. o problema era encontrar a plataforma para pegar o trem da outra linha ou ainda qual trem da linha passava na estaçao. cada linha tem estaçoes verdes, vermelhas e verdes e vermelhas. os trens verdes param nas verdes e nas verdes e vermelhas; os trens vermelhos param nas estaçoes vermelhas e nas verdes e vermelhas. nada mais lógico. ainda bem que a moça para quem pedi socorro me explicou direitinho o esquema e, como se nao bastasse, me levou de uma plataforma a outra para que eu nao me perdesse.
no fim do show, querendo eu voltar para o hostel, na Plaza de Armas, perguntei a uma moça qual ônibus pegar. além de me colocar no ônibus e falar em inglês comigo (viu que eu estava muito perdido no espanhol), me disse exatamente onde descer e nao me deixou pagar o ônibus. ela viu que eu nao tinha cartao e pagou pra mim, nao quis de forma alguma aceitar os meus quinhentos pesos. simplismente difícil de acreditar...

3

voltando, depois de descer do ônibus, pelo Paseo Ahumada, o principal calçadao de Santiago, me deparei com a causa da limpeza do Paseo. as ruas em geral sao bastante limpas e isso nao exclui o Paseo Ahumada, o que é de surpreender, pois milhares de pessoas andam por ali durante o dia. e nao é que, às 23h50, eu vejo um caminhao passar pelo Paseo jogando água para limpá-lo? nao é à toa que está sempre limpo...

4

nao revisei o texto nem pretendo fazê-lo logo. e quanto aos tils, nao faço idéia de onde fica o botao do til nesse teclado. aliás já procurei detidamente: nenhum dos teclados daqui tem til. já me acostumei com os acentos e outros sinais todos fora do lugar, mas o til me deixa encucado. tem um botao para o ene com til (ñ), mas nao há maneira de fazer o til sair do ñ...

5

gostaria de ter escrito mais com menos palavras. fica isso entao por enquanto.

no más.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

hum, dois

hum

há pouco tive uma epifania. é o seguinte: desde os tempos da escola, a sintaxe atazana minha mente. sempre tive um bloqueio com o que diz respeito a período composto, seja ele por coordenação ou por subordinação. aliás sempre dizia que nada de útil tinha toda essa classificação esdrúxula. e não é que, ao ler, na gramática de Cunha e Cintra, que uma oração predicativa pode assumir o lugar de um predicativo, tudo ficou claro subitamente? o mais engraçado é que, por muitos anos, eu quis entender isso e não consegui (querer não é poder) e agora, já conformado com o fato de que eu nunca entenderia, a luz se fez, fiat lux!

pois bem: se não encontraste a luz ainda, não desanimes! ou desanima... quem sabe não a encontras sem querer escondida num beco que pensavas ser sombrio.

p.s.: continuo sem achar utilidade para tais classificações.

dois

descobri um negócio deveras interessante: existe uma música chamada gurizada medonha. há alguns dias a expressão me veio à cabeça e, não sei por que razão, nela se instalou. hoje resolvi colocar no google, como fiz com abobado(a) da enchente, para ver o que descobriria de interessante. pesquisar abobado da enchente já foi enriquecedor (!), mas saber que existe um rock no mundo chamado gurizada medonha me rendeu algumas boas gargalhadas.

expressões gauchescas: as mais afudê. (não se usa gurizada medonha no resto do país, não é?)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

tempo, modo e aspecto

três coisas que não necessariamente verbais


aspecto


"não necessariamente" não necessariamente significa não, ou seja, não preciso me abster de falar de verbos. não que tenha muita coisa pra falar. na verdade é bem pouco: fiquei surpreso com o fato de que no verbete de "aspecto" no dicionário priberam não tem nada a respeito de aspecto verbal. nada de mais, afinal é só um dicionário dentre milhares, sendo que nenhum é perfeito. pronto. só isso.


de algumas das aulas que tive na oficina de teoria e percepção musical: o modo grego jônio deu origem ao modo maior atual e o modo grego eólio deu origem ao modo menor atual. (wtf?) até aí eu entendo. mas quem vai me explicar, agora, o porquê de canções cujo modo é o menor parecerem tão mais bonitas ao meu ouvido?

tempo

sim, o tempo é relativo. ontem mesmo eu estava no dia quatorze, quarta-feira, ansioso com a proximidade da estréia da peça ( vide. ) hoje já é dia 27 e a temporada chegou ao fim. sinto como se as duas últimas semanas tenham sido um período suspenso na minha vida, deslocado dos períodos comuns. um período que, enquanto durou, fez com que eu me sentisse diferente de mim mesmo, uma outra pessoa. não estou querendo dizer que senti como se fosse meu personagem: não é isso. eu era eu, mas um outro eu que não eu mesmo. como explicar se nem eu consigo entender? o que sei é que o tempo passou tão rapidamente que passou e eu nem vi passar. eu estava suspenso. agora sinto como se tivesse sido atirado novamente ao chão.

domingo, 19 de setembro de 2010

apenas uma atualização

Hoje concluímos a primeira semana da temporada d'Os Fuzis. E concluímos de casa cheia. Ver a platéia lotada e, além disso, ver que as pessoas estão gostando gera uma satisfação imensa. Saber que semana que vem já é a última já deixa uma sensaçãozinha de saudade... Enfim, toquemos pra frente!

sábado, 18 de setembro de 2010

xô égua

Depois de todo aquele vinho durante a peça, ontem, e depois da cerveja pós-peça, eu estava super bem. Dormi como um anjo. Uma pena que acordei.

O dia esteve ótimo hoje e não saí de casa, passei o dia inteiro de molho. Quando acordei, estava com uma dor abdominal tensa. Depois ainda fiquei com pressão baixa, uma lindeza. Nem almoçar direito consegui.

Bem, a dor ainda existe, mas já está passando. Há pouco consegui comer um pão com pão. Já é um progresso. Agora ainda tenho uma hora para estar cem por cento antes de ir para o ensaio.

xô dor. xô égua

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

foi.

Quando decidi escrever algo sobre a estréia, comecei a pensar e percebi que é como se eu estivesse tentando explicar o inexplicável, descrever o indescritível. Cada apresentação, para mim, é como se eu estivesse pisando no palco pela primeira vez. Senti aquele nervosismo de sempre, aquela sensação de quando o carro da montanha russa está subindo, prestes a despencar, o medo por ter certeza de que ele despencará inevitavelmente.


E despencou. E despencou em alta velocidade. O carro pareceu andar tão rapidamente que a adrenalina foi muito intensa. Com descidas, subidas e loops, a estréia foi emocionante. E o melhor de tudo é que a emoção foi transmitida para o público. E disso me alegro muito: ser um dos responsáveis pela transmissão da força e da emoção de um texto como o d'Os Fuzis é algo sem palavras.

Agora é tocar pra frente, com bastante energia, que ainda temos uma temporada inteira pela frente.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Agora em temporada


Pois: hoje, às 21h na sala 504 da usina do gasômetro estréia Os Fuzis da Senhora Carrar.

http://fuzisdacarrar.blogspot.com/

Depois de vários tropeços, estou concluindo o nível intermediário da escola de teatro do neelic. Sei que sou suspeito, mas não consigo evitar dizer que a peça está linda e que todos devem assistir.

Aí vai uma foto de que gostei bastante. Nela estão Pedro Jáqueras e Carmen Carrar.


Como diria P. Jáqueras, personagem da peça: Hoje é que tudo se decide, agora preciso ir.

A peça fica em cartaz de 15 a 26 de setembro, às 21h em quartas, quintas e sextas, e às 20h em sábados e domingos.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Goran, Beckett, Brecht

No ano passado o poa em cena me proporcionou vários bons espetáculos por dez reais. Voca People, Luisa se estrella contra su casa, Quartett, Antes do Café são alguns deles. Dia 8 foi a "estréia" do em cena 2010. Goran Bregovic e a Weddings and Funerals Orchestra foi, penso, o ponto alto da semana que passou.

Dentre as inúmeras qualidades da trupe, muitas das quais podem ser conferidas no youtube ou mesmo no site oficial do G. Bregovic, destaco a que mais me deixou fascinado fora o talento de todos, qual seja a descontração dos integrantes. Sem que seu trabalho fosse prejudicado, todos os músicos estavam à vontade, conversando entre si, rindo, comunicando-se com a platéia. Não posso deixar de mencionar também que duas horas e meia de show sem cansar o público não é pra qualquer um. Eu, que facilmente me canso - como já comentei no post sobre O Sobrado -, estive disposto o tempo inteiro.

Ontem vi Happy Days. Foi uma experiência interessante, mas muito tediosa. Adriana Asti é incrível; os textos do Beckett, absurdos. Enfim, as imagens eram muito ricas, mas a falta de ação é de deixar qualquer um com tédio.

Quarta-feira, então, eu e meus colegas do neelic estrearemos com Os Fuzis da Senhora Carrar (Bertolt Brecht). Acho que já comentei algo a respeito da peça aqui no blog, mas enfim, é uma peça muito bonita. Hoje fizemos as fotos, acho que ficaram ótimas, espero recebê-las o quanto antes. Também não vejo a hora de chegar o dia da estréia.

Obs.: O blog d'Os Fuzis foi atualizado hoje mesmo. O link está ali nos relacionados. Vale a pena dar uma olhada.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

twitter. mais uma vez.

  1. Prova de visão crítica: fui tão bem quanto eu esperava.
  2. Prova de visão crítica: três horas e meia de pura felicidade.
  3. "Quem sabe a gente devia anular a disciplina?" Que vontade de dizer "ótima idéia, professor!"
Saudosismo: aulas de visão crítica. Reclamei, reclamei e acabei tirando 7 na prova (detalhe: estava esperando um 4). Isso sem falar que na prova final fiquei com dez, alegria demais.

Uma das utilidades do twitter: relembrar bons momentos.

Ainda assim: um dia eu deleto.