Meu primeiro amor
Foi como uma flor
Que desabrochou
E logo morreu.
Nesta solidão,
Sem ter alegria
O que me alivia
São meus tristes ais.
São prantos de dor
Que dos olhos saem
Pois que eu bem sei
Quem eu tanto amei
Não verei jamais.
Teatro perde Nelson Rodriguestrês coisas que não necessariamente verbais
"não necessariamente" não necessariamente significa não, ou seja, não preciso me abster de falar de verbos. não que tenha muita coisa pra falar. na verdade é bem pouco: fiquei surpreso com o fato de que no verbete de "aspecto" no dicionário priberam não tem nada a respeito de aspecto verbal. nada de mais, afinal é só um dicionário dentre milhares, sendo que nenhum é perfeito. pronto. só isso.
Hoje concluímos a primeira semana da temporada d'Os Fuzis. E concluímos de casa cheia. Ver a platéia lotada e, além disso, ver que as pessoas estão gostando gera uma satisfação imensa. Saber que semana que vem já é a última já deixa uma sensaçãozinha de saudade... Enfim, toquemos pra frente!
Quando decidi escrever algo sobre a estréia, comecei a pensar e percebi que é como se eu estivesse tentando explicar o inexplicável, descrever o indescritível. Cada apresentação, para mim, é como se eu estivesse pisando no palco pela primeira vez. Senti aquele nervosismo de sempre, aquela sensação de quando o carro da montanha russa está subindo, prestes a despencar, o medo por ter certeza de que ele despencará inevitavelmente.
E despencou. E despencou em alta velocidade. O carro pareceu andar tão rapidamente que a adrenalina foi muito intensa. Com descidas, subidas e loops, a estréia foi emocionante. E o melhor de tudo é que a emoção foi transmitida para o público. E disso me alegro muito: ser um dos responsáveis pela transmissão da força e da emoção de um texto como o d'Os Fuzis é algo sem palavras.
Agora é tocar pra frente, com bastante energia, que ainda temos uma temporada inteira pela frente.

Pois: hoje, às 21h na sala 504 da usina do gasômetro estréia Os Fuzis da Senhora Carrar.
http://fuzisdacarrar.blogspot.com/
Depois de vários tropeços, estou concluindo o nível intermediário da escola de teatro do neelic. Sei que sou suspeito, mas não consigo evitar dizer que a peça está linda e que todos devem assistir.
Aí vai uma foto de que gostei bastante. Nela estão Pedro Jáqueras e Carmen Carrar.

Como diria P. Jáqueras, personagem da peça: Hoje é que tudo se decide, agora preciso ir.
A peça fica em cartaz de 15 a 26 de setembro, às 21h em quartas, quintas e sextas, e às 20h em sábados e domingos.
Dentre as inúmeras qualidades da trupe, muitas das quais podem ser conferidas no youtube ou mesmo no site oficial do G. Bregovic, destaco a que mais me deixou fascinado fora o talento de todos, qual seja a descontração dos integrantes. Sem que seu trabalho fosse prejudicado, todos os músicos estavam à vontade, conversando entre si, rindo, comunicando-se com a platéia. Não posso deixar de mencionar também que duas horas e meia de show sem cansar o público não é pra qualquer um. Eu, que facilmente me canso - como já comentei no post sobre O Sobrado -, estive disposto o tempo inteiro.
Ontem vi Happy Days. Foi uma experiência interessante, mas muito tediosa. Adriana Asti é incrível; os textos do Beckett, absurdos. Enfim, as imagens eram muito ricas, mas a falta de ação é de deixar qualquer um com tédio.
Quarta-feira, então, eu e meus colegas do neelic estrearemos com Os Fuzis da Senhora Carrar (Bertolt Brecht). Acho que já comentei algo a respeito da peça aqui no blog, mas enfim, é uma peça muito bonita. Hoje fizemos as fotos, acho que ficaram ótimas, espero recebê-las o quanto antes. Também não vejo a hora de chegar o dia da estréia.
Obs.: O blog d'Os Fuzis foi atualizado hoje mesmo. O link está ali nos relacionados. Vale a pena dar uma olhada.
Ontem tive dor nas costas. Dor nas costas de tanto estar sentado. O novo (e último) filme do Shrek é ótimo, mas mesmo assim eu cansei. É penoso, para mim, ficar sentado dentro de uma sala de cinema por duas horas. Pior ainda, no mesmo dia, mais duas horas sentado em um teatro.Mesmo não tendo sido muito confortável, ter tido dor nas costas não foi em vão. Como já disse, o filme foi ótimo. A peça que vi, O Sobrado, foi impecável. Há tempos não assistia a algo tão bom no teatro. Sou meio avesso a adaptações de livros, e a experiência que tive com a minissérie O Tempo e o Vento foi muito pior do que eu esperava: o sobrado não se parecia nem um pouco com aquilo que eu tinha imaginado e, em nenhum instante, o Tarcísio Meira convenceu como Capitão Rodrigo. E talvez tenha sido por isso que, ao ouvir pela primeira vez, no ano passado, que um certo grupo Cerco estava apresentando uma montagem inspirada n'O Tempo e o Vento, não tive muita vontade de ir assistir. Acabei mudando de idéia ao saber das opiniões de amigos, sem falar dos comentários positivos de Luis Fernando Verissimo e de Maria da Glória Bordini.
O Sobrado é o último capítulo (cronologicamente falando) d'O Continente, primeiro livro d'O Tempo e o Vento (Erico Verissimo). A peça, apesar de homônima ao capítulo, não se restringiu a acontecimentos apenas d'O Sobrado, mostrando, em um plano do passado, acontecimentos de outros capítulos. Cenas envolvendo a personagem Bibiana, como seu último encontro com o Capitão Rodrigo (em que ele lhe pede que frite uma lingüiça para esperá-lo), seus conflitos com a nora Luzia e a morte do filho ajudaram a compor a personagem, que, de outra forma, seria apresentada apenas como uma "velha caquética" que fica se balançando na cadeira de balanço. O roteiro fragmentadíssimo, como o livro - o próprio capítulo O Sobrado é apresentado em fragmentos -, foi extremamente fiel à obra de Erico, o que pressupõe profundidade do grupo ao estudar o texto.
Os atores estavam ótimos, em especial Isandria Fermiano (Maria Valéria) que representou muito bem a personagem que, para mim, é a grande personagem feminina d'O Tempo e o Vento. Também o cenário, ou melhor, sua ausência estava adequada: a montagem me fez ver o sobrado da forma como eu o tinha imaginado. Ademais, a simplicidade (apenas aparente, pois nada é simples na montagem de uma peça) em tudo era fascinante: tecidos brancos que transformavam-se em qualquer coisa, a música tocada pelos atores, a luz vermelha para o plano da memória etc.
Fiquei quase duas horas sentado, mas nem a dor nas costas me deixou menos interessado no que ocorria em cena. A esta peça eu assistiria uma outra vez, certamente. Além do mais, ela deixou em mim muito mais forte o sentimento de que preciso reler o quanto antes a grande obra de Erico (e também meu romance predileto). Como disse Luís Franke (o ator que interpretou Fandango) após o final da peça, Viva Erico Verissimo!